A Crise financeira, a bolsa e o seu bolso.

Esta crise financeira que abala o mundo é de perdas sem precedentes em um curto prazo. Pior que a crise de 29, salvaguardando as devidas proporções, seria leviano afirmar quando terminará. Bancos estão quebrando, pessoas estão dormindo nas ruas e sem emprego nos EUA. Agora a crise se alastra para a Europa e para a Ásia. Será que chegará até nós? Boa pergunta. A resposta é: já chegou. Com o encurtamento do crédito e o aumento dos juros; o que não é nenhuma novidade para nós. O que acarretará em diminuição do consumo em pleno final de ano e teremos um começo de ano mais amargo.
Considerando que os três primeiros meses do ano são os mais pesados para o orçamento familiar, pois temos os pagamentos do IPVA, do IPTU, as férias, a matrícula dos colégios, e das faculdades. Além da ressaca financeira de fim de ano, com a chegada da fatura do cartão de crédito, e os cheques pré-datados, que muitos insistem em usar, desprezando que é melhor viver pagando à vista. Para muitos já é o bastante, pois o limite do cheque especial já está estourado há muito tempo. É mais um ano que entra rolando as dívidas.
O Brasil possui fundamentos sólidos na economia, porém o governo já apresentou um plano para não deixar que a crise chegue. Espero não ter sido tardio. Mas, já chegou, se bem que não tão grave quanto nos EUA, mas, significativa, pois já está afetando a produção. Em conseqüência a diminuição das vendas e as férias coletivas das fábricas já estão acontecendo. O medo do desemprego e a mobilização de sindicatos, no Brasil, sinalizam as previsões de desaceleração do crescimento no mundo todo. É o fantasma da recessão que assola o mundo. A queda sucessiva nas bolsas de valores do mundo todo fez com que houvesse uma migração grandiosa da renda variável para investimentos mais seguros no mundo. Aqui no Brasil para a renda fixa, como por exemplo, a poupança. Tudo começou lá em 2007 alertado por poucos e por isto não se deu tanta importância. É o Subprime, a bolha das commodities, a quebra das instituições financeiras que estavam exageradamente alavancadas. Mas parecia estarmos indo tão bem aqui no Brasil…
A corrida para se chegar ao primeiro milhão, conquista tão sonhada e obtida por uma parcela insignificante da população, fez desabar o sonho de muitos, e com o dólar nas alturas, viajar ao exterior também ficou mais longe, mas não podemos desanimar.
A Educação financeira e o planejamento financeiro se tornam cada vez mais uma ferramenta essencial neste momento, onde o desequilíbrio financeiro poderá trazer um desastre tão grande dentro de sua casa (no seu orçamento) quanto o que vem ocorrendo no mundo, com a chamada crise financeira.
“Cuidado com a pior crise que existe, a crise do seu bolso”.
O consumo neste final de ano tem de ser mais do que nunca consciente e cauteloso, para evitarmos uma espiral endividatória em que as pessoas entram quando não se consegue honrar seus compromissos tomando empréstimos, agora cada vez mais caros, no país que tem uma das maiores taxas de juros do mundo, para cobrir outro. A crise afetou a bolsa e pode afetar o seu bolso.
O mercado de ações às vezes nos prega algumas peças, mas ao longo do tempo tem mostrado que tem sido o melhor investimento. A crise para muitos se torna uma oportunidade de ganhos monumentais, já para outros, uma severa lição. A bolsa não é um jogo. Temos apenas que fazer a lição de casa.

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