Redução da Taxa de Juros: por que demora tanto chegar ao nosso bolso?

Com mais uma reunião do COPOM e mais uma redução não tão surpreendente assim da
taxa SELIC. Apesar de a redução ser histórica. Os juros da economia agora são de 9,25%
aa. Enfim chegamos a casa de um dígito. Mas ainda somos um dos países com a taxa
de juros mais alta do mundo. Mas temos bem mais espaço para reduções, pois na
Europa e nos EUA já estão com taxas praticamente negativas. Porém estamos evoluindo
e a economia já dá sinais de reação.

Por que então a redução da taxa de juros demora tanto a chegar ao nosso bolso?

Vejamos a composição do spread bancário atualmente:

– Custos administrativos 13%
– Compulsório 3%
– Impostos 20%
– Taxa de risco 37%
– Lucro 27%.(fechando os 100%).

Vejamos agora algumas considerações sobre isto:

– Com a atual crise econômica é natural que houvesse uma redução em seus custos administrativos, digamos ficando em 8%.
– Com uma reforma tributária, quem sabe os impostos seriam de menos de 10%.
– E se mesmo com a economia precisando de giro e, portanto mais crédito, fosse mais bem analisado. Visando não somente o lucro e sim também a melhoria da qualidade de vida dos tomadores de crédito contribuindo com a melhoria de nosso país e assim reduziriam a chamada taxa de risco para 30%, que já é bastante alta.
– E se o lucro não fosse tão grande assim, digamos 10% e convenhamos ainda é muito, pois todo o resto já foi coberto.

Com a taxa de juros média efetiva do crédito pessoal girando em torno de 3,71% nos principais bancos, incluído os do governo, a taxa efetiva média do cheque especial em torno de 8,21%. (Fonte do BACEN em 21/05/2009). Sabemos que a estrada a percorrer ainda é longa. Mas quem sabe em pouco tempo não teremos uma taxa de juros de mercado muito próxima ao de países desenvolvidos.

Existem muitas propostas para a redução do spread bancário e o resto por consequência.

Resta-nos saber agora, o quanto dessa redução será repassado de fato ao bolso do consumidor/contribuinte. Se em um CP ou LP. A economia precisa girar mais rápida e mais rápido ainda sair dessa turbulência financeira que afeta o mundo e que já chegou a tempo no Brasil. Aguardemos.

Everton Lopes é economista formado pela UFRGS, especialista em finanças pela FGV, investidor, palestrante, coaching, comentarista de finanças pessoais nos principais meios de comunicação do RS. Também é autor do livro de bolso “Do Economês para o Português – um guia prático de finanças pessoais”. Conselheiro do CORECON/RS e Sócio da Money Sul Educação Corporativa, idealizador e editor dos sites www.semprecomdinheiro.com.br e www.moneysul.com.br .

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