Todo começo de Ano é sempre assim.

Everton Lopes – Economista
Infelizmente, todo começo de ano é assim, contas para pagar, IPTU, IPVA, material escolar, férias, ressaca das compras de final de ano que chegam através das faturas dos cartões de crédito. Os primeiros meses do ano são os mais pesados para o orçamento doméstico. Enfim todo ano é sempre assim.
Pesquisas mostram ao longo do ano que a inadimplência vem aumentando. No entanto, as instituições dizem que não é preocupante, o que discordo parcialmente, pois, a carência e a falta de informação, principalmente de educação financeira desde os bancos escolares seria, em meu entendimento, uma das principais atitudes a serem tomadas.
O ENEF – Estratégia Nacional de Educação Financeira é uma delas, que já está em andamento no Governo Federal e será implantado neste ano de 2012 nas escolas em todo Brasil. Outra, a comissão de educação financeira do CORECON RS, na qual sou integrante, estamos desde 2009 tentando implementar um projeto que trata de um concurso de redação sobre educação financeira nas escolas gaúchas e que tem parado em alguns entraves burocráticos que já estão sendo superados e, este ano teremos uma radiografia de como nossos estudantes enxergam este tema tão importante para as nossas vidas, pois educação financeira é para toda a vida não importando qual seja a sua profissão.
Passado os primeiros meses do ano, considerados os mais pesados, a falta de um mínimo de planejamento financeiro pessoal e/ou familiar pela grande maioria, sim pela grande maioria, pois, se não, os índices de inadimplência não estariam na faixa de 60% como normalmente é divulgado mês a mês com pequenas variações, tendo em vista algumas sazonalidades. Os mais descontrolados financeiramente já estão endividados com a incorporação do cheque especial a sua renda (erro gravíssimo – cheque especial não é salário) e rolando a dívida do cartão de crédito (excelente instrumento de crédito se souber usá-lo). As instituições financeiras trazem a “solução” com as antecipações da restituição do imposto de renda (para aqueles que têm a restituir, pois o “Leão” anda muito faminto nestes últimos anos) e em seguida a antecipação do 13º salário para que as famílias possam continuar tentando esticar a sua renda para que ela dure até o final do mês.
Ora, mas por que é sempre assim? Por que esta “Fobia Financeira”, o medo de lidar com seu próprio dinheiro. A forma como lidamos com o dinheiro é uma das principais causas deste emaranhado de problemas causados por nós mesmos, são escolhas que fizemos. Felicidade é “Química” é sentimento, o dinheiro pode até ajudar, mas não compra. Os estudos feitos sobre finanças comportamentais mostraram que riqueza e felicidade não são inversas, pois consumimos para pertencer e sermos estimados na sociedade em que vivemos. Faça uma reflexão sobre qual o seu relacionamento com dinheiro. Necessidade ou desejo? Satisfação ou prazer? Sustentação ou ostentação? Realização ou dependência? O resultado disto pode mudar a sua vida financeira, pense nisto!

Econ. Everton Lopes é coaching financeiro, colaborador dos principais meios de comunicação do RS, autor dos livros “Seu Bolso no Divã” e “Do Economês para o Português” um guia prático de finanças pessoais, primeiro livro de bolso sobre tema lançado no Brasil. É ainda criador e editor do site www.semprecomdinheiro.com.br

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